quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Você reclama?



Dia 1º de janeiro de 2010. Voltando de uma manhã adorável na praia, passei novamente por aquele Land Rover estacionado na calçada. Desta vez um casal teve que driblar o grandalhão e passar com o carrinho de bebê pela rua.

Não era a primeira vez que eu via o carro por ali. Meus instintos mais primitivos estavam aflorando. Calçadas, nas cidades brasileiras, quando existem são quase milagre. Quando existem e são boas, são milagre completo. Deveria mandar a foto para o Vaticano. Minha ideia era passar a chave pela lateral do carro, riscando tudo o que pudesse. Pensei que, em alta temporada, se ligasse para a Polícia certamente não viriam. Se não adiantasse, a única solução que eu imaginei foi vir à noite com um martelo e aplicar eu mesmo uma bela multa.

Mas, com a puxada de orelha da minha esposa, pensei um pouco. Eu, sabendo dos meios legais que existem, será que não deveria agir mais civilizadamente? Será que adiantaria? Vou testar para ver o que acontece.

Liguei na Polícia Militar, sem me identificar como promotor. Não esperei para ver se chegariam a vir, mas no dia seguinte o carro não estacionava mais lá. Hoje, no trabalho, grata surpresa: fui consultar a placa do carro no sistema de trânsito e BINGO!!! Lá está, uma linda multa, de R$ 127,00, por estacionar em cima da calçada.

A lição foi grande. Brasileiros somos todos muito imediatistas. É trânsito, é fila, é sinal de pare; queremos sempre passar por tudo isso o mais rapidamente possível. Eu também queria punir o dono do jipão o mais rápido possível. Só que isso não é cidadania. Aprendi que reclamar vale a pena, ainda que aparentemente não pareça.

Daqui pra frente reclamo de tudo, ligo pra polícia, mando e-mail, represento, enfim, faço meu papel de cidadão, utilizando os meios que tenho à disposição. E você? Reclama?